Emoções como uma causa de doenças

22
06
2018

É normal que as pessoas sintam uma variedade de emoções em diferentes circunstâncias. Por exemplo, é normal que as pessoas sintam pesar quando perdem alguém ou algo. A raiva ajuda as pessoas a fazer valer seus direitos, e o medo as protege do perigo. A resposta emocional apropriada é o objetivo. Quando as emoções são prolongadas, intensas, reprimidas ou não admitidas elas se tornam uma causa de desequilíbrio no qi de uma pessoa. A emoção prolongada ou intensa cria um movimento excessivo ou desarmônico no qi. As emoções que são consistentemente suprimidas tendem a inibir o movimento normal do qi. No texto da dinastia Han, o Li Ji, está escrito: “os movimentos do Coração são realizados pelas coisas; as coisas afetam-no, portanto, há movimento” (Davis, 1996).

Durante a dinastia Qing, Shen Jin-ao esclareceu que emoção excessiva é prejudicial: “em decorrência de muito medo, muita alegria, muita ansiedade, muito susto, o resultado é o sofrimento da perda do espírito” (citado por Flaws e Lake, 2000, p. 18). Esse é um ponto de vista tipicamente confuciano, o qual defende a necessidade de evitar estados emocionais intensos.

Muitos pacientes já tiveram traumas e situações que suscitaram intensas emoções. O qi dessas pessoas foi incapaz de retornar ao nível anterior de equilíbrio. As emoções que surgem permeiam seus espíritos e corpos. Sua vida emocional e a função física são afetadas de forma inevitável.

Uma criança é o melhor modelo de equilíbrio emocional e de saúde. Embora, infelizmente, alguns bebês nasçam com problemas graves, a maioria nasce apenas com desequilíbrios brandos no qi. Um dos aspectos admiráveis e amáveis das crianças pequenas é sua extraordinária vitalidade em relação ao corpo, à mente e ao espírito, e a espontaneidade e a fluência de suas emoções. Quando as crianças se machucam, em geral correm para suas mães pedindo consolo, mas apenas pelo tempo necessário. Em seguida, de maneira inesperada já estão correndo e gritando novamente. Um acesso de raiva pode ser violento, mas raras vezes dura mais que alguns minutos. A emoção, embora possa ser passional, não fica presa. Raiva, alegria, medo e mágoa podem ser sentidos com intensidade por uma criança, mas apenas raramente se tornam prolongados ou habituais.

Esse equilíbrio emocional não dura muito. Conforme Wordsworth disse em sua ode, Intimations of Immortality (Intimações da Mortalidade).

O céu está em torno de nós na nossa infância! Sombras da casa-prisão começam a se fechar ao redor do menino em crescimento.

À medida que as crianças se tornam mais velhas, começam a perder aquele maravilhoso sentimento de liberdade e alegria, aquele estado em que todas as emoções estão disponíveis e nenhuma ainda se tornou um hábito. Mesmo em uma criança pequena, podemos com frequência perceber que certas emoções são mais poderosas e intensas do que outras. Pode haver muitas razões para isso, mas os fatos da vida e as idiossincrasias emocionais e mentais de outros membros da família normalmente começam a cobrar seu tributo. Por exemplo, Ernest Becker propôs que as crianças nunca se recuperaram por completo da descoberto no início da infância de que suas vidas, e a vida das pessoas que amam e das quais depende, terminarão inevitavelmente na morte (Becker, 1975). Onde uma vez o qi dos Cinco elementos fluía livremente e os ciclos Sheng e ke estavam em harmonia, agora o equilíbrio dos Elementos se torna perturbado.

Quando os cinco elementos são unidos, as cinco virtudes estão presentes e o yin e o yang formam uma unidade caótica. Assim que os Cinco Elementos se dividem, o espírito discriminativo (shishen) gradualmente surge, e a incrustação dos sentidos ocorre de forma gradual; a verdade foge e o falso se estabelece. Então, até o estado da criança é perdido. (Liu I Ming, citado por Cleary, 1986a, p. 66).

Com o tempo, os efeitos sobre o corpo e o espírito podem se tornar crônicos. A doença física se desenvolve e o espírito é diminuído. Os pacientes todos têm uma história pessoal que formou sua personalidade única e criou desequilíbrios dos Cinco Elementos.

 

Referências:

BECKER, E. The denial of death. New York: The Free Press, 1975.

CLEARY, T. The Taoist / Ching, Boston, MA: Shambhala, 1986. 

DAVIS, S. The Cosmobiological balance of the emotional and spiritual worlds: phenomenological structuralism in traditional Chinese medicine, thought, enlture, Medicine and Psychiatry 20:83-123, 1996.

FLAWS, B., LAKE, J. Chinese medical psychiatry. Bonlder, CO: Blue Poppy Press, 2000.

 

Fonte: livro “Acupuntura Constitucional dos Cinco Elementos” – Angela Hicks, John Hicks, Peter Mole.

 

 

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