Conceito sobre os mecanismos da Acupuntura

25
05
2018

O corpo humano é formado da união de células que dão origem aos tecidos ou órgãos; estes se associam entre si e colaboram para preservar as funções de locomoção, digestão, defesa, respiração etc. As conexões entre os diversos sistemas fazem-se, de modo geral, pelo sistema nervoso, cujo centro é o cérebro, que controla e regula todas as funções. Assim, o organismo responde como um todo às alterações do meio.

Por exemplo, no calor, há vasodilatação, com aumento da sudorese na tentativa de diminuir a temperatura corpórea. No frio, ocorre o contrário, com vasoconstrição e economia do calor corporal. Se o frio é excessivo, verificam-se tremores, que se destinam a gerar mais calor e a manter a homestermia e as funções celulares normais.

Se a função do sistema nervoso é adequada, ela preserva a adaptação e a saúde do organismo. Se o organismo sofre alguma lesão, o sistema nervoso pode responder, atuando em vários níveis para contê-la. Por exemplo, se há invasão bacteriana com liberação de toxinas, o sistema nervoso, para prover meios de eliminar as bactérias e suas toxinas, reage com hipertermias, leucocitose, aumento da secreção de muco, tosse, náuseas, vômito.

Sob a direção do sistema nervoso, o organismo é capaz de prover vários mecanismos de compensação. Assim, se o coração está doente, há má circulação. O sistema nervoso prove então alterações como a dilatação das coronárias, aumentando a pressão de O2 e a cardiomegalia. No caso dos rins, ocorre o mesmo: se um é deficiente, o outro se hipertrofia para compensar a queda da função.

Por isso, um sistema nervoso em boas condições é capaz de reagir a lesões com reações compensatórias capazes de devolver o estado de saúde ao organismo.

É claro que há outros fatores em jogo. O grau da lesão é importante. Além do mais, o sistema nervoso sofre influência do corpo como um todo. Se o corpo estiver enfraquecido, em estado depressivo, sofrendo ansiedades etc., isso se refletirá negativamente sobre o sistema nervoso.

Às vezes, as próprias reações de adaptação, quando exacerbadas, podem piorar o estado do doente. Por exemplo, na cólera, provocar a diarréia visa a eliminação dos patógenos; mas, se o processo for excessivo, poderá matar o paciente por desidratação. Ainda nas lesões articulares, se o espasmo muscular ao redor for demasiado, pode levar à isquemia e a um círculo inflamatório vicioso.

Alguns fatores externos não têm importância em si, mas, ao provocarem respostas inadequadas, podem provocar o desenvolvimento da doença. Por exemplo, em pessoas alérgicas, graves crises podem ser desencadeadas por pequenas quantidades de antígenos externos. Muitas vezes, em certas patologias, não se compreende o mecanismo de ação do sistema nervoso. Isso se deve à carência de conhecimentos que a medicina demonstra acerca da plenitude de ação das células nervosas; por isso, é comum admitir-se que as células sempre são lesadas diretamente por agentes externos (químicos ou bacterianos). Essas noções são incompletas. A doença é o fruto da interação entre os agentes agressores e a resposta do organismo, comandada pelo sistema nervoso central; às vezes, a lesão do próprio sistema nervoso e seus mecanismos de reação podem piorar a doença. Com certa frequência, quando a lesão é suficientemente profunda, não se consegue o estado de equilíbrio e o paciente morre.

A Acupuntura não está voltada diretamente para os agentes agressores externos e, por isso, seu tratamento não visa apenas a tratar o local comprometido no corpo, mas age sobre todo o sistema nervoso, estimulando o mecanismo de compensação e equilíbrio em todo o corpo, para com isso sanar a doença. Há muitas doenças que se originam a partir da má absorção de vitaminas e cuja causa é o distúrbio do sistema nervoso. Nesses casos de deficiência, pode-se obter bons resultados através da Acupuntura, dispensando-se o uso das vitaminas. O mesmo ocorre com outras doenças endócrinas, ocasião em que se conseguem muitos bons resultados com a Acupuntura sem o uso de hormônios exógenos.

Mecanismo de ação da Acupuntura:

1. A Acupuntura altera a circulação sanguínea. A partir da estimulação de certos pontos, pode-se alterar a dinâmica da circulação regional proveniente de microdilatações. Outros pontos promovem o relaxamento muscular, sanando o espasmo, diminuindo a inflamação e a dor.

2. O estímulo de certos pontos promove a liberação de hormônios, como o cortisol e as endorfinas, promovendo a analgesia.

3. A Acupuntura ajuda a aumentar a resistência do hospedeiro. Quando há agressão externa, alguns sistemas orgânicos são prejudicados. Há uma regulação interna para oferecer resistência à doença. A Acupuntura exacerba estes mecanismos para que em menos tempo o equilíbrio e a saúde sejam restabelecidos. Muitas pesquisas revelam ser possível o estímulo do hipotálamo, da hipófise e de outras glândulas que atuam na recuperação.

4. A Acupuntura regula e normaliza as funções orgânicas. As diversas funções no homem são inter-relacionadas. Se há algum distúrbio alterando esse interrelacionamento, ocorre a manifestação de sintomas e a doença se estabelece. O estímulo pela Acupuntura pode dinamizar e restabelecer os relacionamentos anteriores e apressar a recuperação.

5. A Acupuntura promove o metabolismo. O metabolismo é fundamental na manutenção da vida. Em certas condições de doença, há alteração do metabolismo dos diversos órgãos, com consequente prostração e deficiência do organismo. A Acupuntura permite a recuperação desse metabolismo, importante no processo de cura.

 

Fonte: Livro: Acupuntura clássica chinesa – Dr. Tom Sintan Wen.

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